19.8.04

Retalhos de felicidade

Horizonte azul
Chuva nos cabelos
Banho de estrelas
Cheiro da manhã
Beijo de mar
Flores no caminho
Carinho inesperado
Sorriso de criança
Mãos que se estendem
Confiança no amanhã
Saudade do futuro
Coração sorridente
Amor ao amor


17.8.04

plenitude

felicidade é a junção do querer e o ter
quando se encontra alguém
somado a outro alguém
formando um novo ser
plena e nova pessoa


13.8.04

Busca

Felicidade, busco-a.
Busco-a, com o olhar de menina travessa
que aguarda do orvalho, cada gota
para acariciar uma rosa.
Busco-a com ar de adolescente,
na folha especial,
entre o veludo e a prata
do velho livro manuseado
Amor, prosa e poesia
com trevo marcado
Busco-a no auge da lisura da tez,
e na instauração do cio.
Na beleza do rio
que margeia a cidade.
No brilho do sol,
intenso e caro
imenso e claro
Busco-a no grito do final da tarde
que anuncia a noite
E ainda que o breu flagele
meus olhos,
busco-a no escuro,
e acato o açoite.



10.8.04

adolescente

“A tarde cinza é uma elegia,
nas alamedas do meu jardim
felicidade, quem diria?
Que te fosses cedo assim...” (Talvez seja de Raimundo Correia, não sei. Alguém sabe?)

não tenho medo de sonhar.
quero a felicidade
com a ânsia indômita
de um adolescente.
quero a felicidade.
nem que seja para
num momento espesso
reconhecê-la na penumbra
descer com ela cordilheiras de vidro
gotejando lavas de brasa e mel
quero a felicidade
como a carta com lábios de batom
que repousa, sonhadora,
no colo de uma adolescente
quero-a, felicidade!
em versos, diversos
na métrica incerta
e rimas dispersas,
mas quero-a!
Eterna-mente...


2.8.04

Tempo das flores

Há dias em que o presente nos cai como flores de ipê colorindo a calçada.
O desenho é lindo. A delicadeza das pétalas nos faz ter medo de pegar a flor.
Mas estão ali para serem pisadas. Por pés desavisados ou por almas insensíveis.
E enquanto olhamos o desenho colorindo o chão, o tempo passa.
O presente vira passado. As flores murcham ou são pisadas.
E a contemplação vira lamentação.
As flores não foram colhidas e o tempo não volta mais.
As marcas no chão viram esperança de um novo reflorir.


1.8.04

Da esperança

Hão de brotar, então,
de dentro de mim,
margaridas e sonhos
e a minha alma saciada
há de repetir, plena:
sou tua natureza viva!
enquanto uma ave azul
deixa cair sobre mim
como pétalas, sementes
de todas as esperanças perdidas
alcarei, então, todo o infinito
e nascerá de mim a fé
a mesma que me conduz
e faz com que todo o meu ser
seja um eterno renascer
de flores, sonhos e esperanças!