21.6.04

alça de mira

Artesão primitivo da palavra
Tateia e ousa rumos impensados
Peito aberto arfante exibido
Tensão do arco
Há outras miras na aljava
São apenas um: arqueiro e seta
Retesa ao máximo dispara
Singram sangrando o ar rompido
E assesta a lança o coração partido
Verte a lava e o sangue avermelha a tez
Na pele desnuda extrema palidez
É a morte
O grito e o silêncio
Sina da vida, sorte
Já não existe dor
Ao fundo ouvem-se lamentos
Primeiro plano latente
Algazarra infantil indiferente
E no embaçado olhar defunto
Jaz inútil a última das lágrimas
Fim decadente que não cabe
Revolve as cinzas mal acaba tudo
E a esculpida palavra expressa
Recomeça ao cinzel miúdo

(ps. transcrito do meu blog
H@ Vida Depois dos 40
publicado em 02/12/02)